“Os meios digitais transformaram a maneira de contar histórias. Ouvintes ou espectadores já não se contentam só em receber, querem conhecer detalhes, se aprofundar e até mesmo construir a história” (Jeff Gomez). A narrativa transmídia é um diálogo entre plataformas midiáticas diferenciadas com o espectador, e representa um avanço importantíssimo na era da inteligência coletiva.

A coletividade das mídias, a oportunidade que o ouvinte tem de interagir com elas, torna a narrativa transmídia um objeto passível dos mais diferentes tipos de manuseio. A conectividade é a palavra de ordem dessa narrativa e funciona tanto no interior quanto no exterior do objeto apresentado. Assim, não mais assistimos a um filme e ficamos imóveis a ele; interagimos com a narrativa o máximo possível, cambiando elementos como plasticidade, sons, técnicas, buscando-o em outras plataformas como jogos, revistas e livros, e aproveitando-nos amplamente de sua utilidade mercadológica.

A crítica mais acentuada à narrativa transmídia é a de que ela é mais uma intencionalidade consumista, mas vejamos que, por trás da indução ao consumo, existe também uma intenção (ainda não muito clara, na minha opinião) de transmitir ao público uma informação temática relevante. É o caso do famoso Avatar, que apresenta uma mensagem humanizadora fortíssima, mascarada pelo glamour hollywoodiano. Outra questão importante nesse filme que tem relação direta com a narrativa transmídia é a noção de coletividade. Nada pode ser alcançado isoladamente; é importante interagir sempre e sempre buscar uma coesão dentro do grupo social para que determinada atitude ou ação seja possível. Não é raro que a transmídia venda (e muito!), afinal qual é mesmo a razão da selva capitalista onde vivemos?

Assim vemos que, na era em que o individualismo ainda reina e é o herói de uns, a tentativa de fazer a sociedade retornar ao ideal de coletividade é algo distintivo e importante, e eu espero sinceramente que isso aconteça.