Certa vez, ouvi dizer que lembranças têm cheiros. Engraçado como isso é verdadeiro. Mexendo em minha tese nesta semana para uma publicação, vi que essa afirmação é a mais pura verdade. Lembranças têm cheiros sim e como têm.

Quando estava escrevendo aquele texto, repleto de mar, de azul, de brisa, parece que podia sentir tudo aquilo. Até o azul descrito em To the Lighthouse tem um cheiro especial. Daí, lembrei que um dia também ouvi dizer que a felicidade é azul. E como é! Em nossa cultura, o azul é sempre uma coisa boa. Boníssima e bela. Nesta semana, alguém me perguntou por que eu não menciono mais de e sobre Virginia Woolf como antes. Nossa! Fiquei alarmada. No dia que eu deixar de mencionar a Virginia, não serei mais eu. Daí vi que a mencionei mais de três vezes só lá no facebook.
Hoje peguei-me resgatando lembranças gostosas. Senti vontade de reabrir as caixas de cartas e libertar todo o afeto de momentos retidos e nunca esquecidos. Mexer nessas coisas faz um bem danado e cura quaisquer males. Mas sabe quando dá um medo de que lembranças acabem ficando deliberadamente soltas aqui e ali e me peguem, de sobressalto, em tardes de saudades? Senti-me meio Pandora de mim mesma, confesso.
Ai, como é bom reavivar essas memórias e deixar as lembranças decidirem se saem para um passeio ou não. E os afetos? E as histórias? E a vida? Tudo isso condensado e, ao mesmo tempo, abrangentemente solto. Tenho tantas lembranças passeando por aqui, agora, dizendo para mim que relembrar é preciso, relembrar é viver. E são, com certeza, lembranças cheirosíssimas.
Se a felicidade é um estado de espírito, as lembranças são os sorrisos, os sorrisos garantidos. E boas lembranças a todos!









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